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Política

Incompetência do governo Lula faz fila do INSS chegar a 3,1 mi pedidos em fevereiro

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A espera para obtenção dos benefícios vem com tendência de alta desde meados de 2024

O número que pesou na demissão do presidente do INSS, Gilberto Waller, está agora público: em fevereiro de 2026, a fila de requerimentos pendentes no instituto bateu um recorde histórico de 3.127.690 pedidos aguardando análise.

Em março, o volume recuou para 2.793.618 solicitações pendentes — uma queda relevante, mas ainda muito distante da promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se comprometeu a zerar a fila do INSS.

O crescimento da espera não é recente. A tendência de alta se sustenta desde meados de 2024, o que evidencia um problema estrutural que extrapolou a capacidade de resposta da autarquia ao longo de meses.

Em março de 2026, o detalhamento da fila mostrava 900 mil pessoas aguardando benefícios previdenciários comuns, como aposentadoria. Outros 690 mil esperavam por benefícios assistenciais e 671 mil aguardavam resultado de perícia médica. A maioria dos requerentes estava na fila há menos de 45 dias.

O ritmo de novos pedidos também pressionou o sistema: em março, a média diária chegou a 61 mil solicitações, superando os 59 mil por dia registrados em fevereiro.

Cidadãos que aguardam resposta do INSS podem acompanhar o andamento de seus pedidos diretamente pelo portal oficial: 👉 meu.inss.gov.br ou pelo aplicativo Meu INSS, disponível gratuitamente para Android e iOS.

Em nota oficial, o INSS informou que, em março de 2026, foram concluídos 1,625 milhão de processos — número expressivo, que aliviou especialmente os pedidos de aposentadorias, pensões e BPC (Benefício de Prestação Continuada), destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

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Esse grupo de benefícios é classificado tecnicamente como Reconhecimento Inicial de Direitos (RID). Apenas em março, o estoque desses pedidos caiu 334 mil processos, representando uma retração de quase 11% no volume acumulado de um único mês.

Para enfrentar o represamento, o INSS implementou uma série de medidas administrativas. Entre elas, está a nacionalização da fila de análise, que permite que servidores de qualquer estado do país atuem em processos de regiões com maior congestionamento — uma iniciativa que amplia a eficiência sem exigir novas contratações imediatas.

Além disso, a autarquia promoveu mutirões de análise administrativa e perícia médica e criou grupos de trabalho especializados para tratar os pedidos de maior complexidade, que historicamente emperram o fluxo geral de concessões.

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, defendeu que a crise dos descontos indevidos já foi superada e que o foco agora é a gestão da fila. Para o ministro, esse desequilíbrio foi o fator determinante para o afastamento de Waller.

“Não teve uma gota d’água [para a demissão], teve só uma mudança de momento. Ele fez um bom trabalho, melhorou fluxos e processos no período atribulado. Só que ele não atacou o problema central da fila. A fila estava escalando, estava aumentando, sem controle”, declarou Queiroz.

Para o lugar de Waller, o governo indicou Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ingressou no INSS em 2003 como Analista do Seguro Social. Ela exercia o cargo de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social e já presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos — experiência que reforça seu perfil técnico para o desafio de reequilibrar o sistema.

Waller havia assumido a presidência do INSS em abril de 2025, em meio à crise deflagrada pela Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU). A operação investigou um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, com valores estimados em R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 — ainda sob apuração para determinar o percentual de caráter ilegal.

O então presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, foi afastado por decisão judicial e posteriormente exonerado pelo presidente Lula. Em seguida, o ministro da Previdência à época, Carlos Lupi, também pediu demissão, gerando uma crise política que abriu caminho para a entrada de Waller.

Aposentados e pensionistas que identificarem descontos indevidos em seus benefícios podem registrar reclamações pelo portal: 👉 www.gov.br/inss ou pelo telefone 135, central de atendimento gratuita do INSS.

 


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