Saúde
Ministério da Saúde suspende vacina da dengue do Butantan após reações adversas graves e mortes


Uma das notícias mais impactantes da saúde pública brasileira em 2026 veio à tona na manhã desta segunda-feira, 8 de junho: o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária e preventiva da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida, que passa a valer a partir desta terça-feira (9 de junho), foi tomada após o registro de 42 casos de reações adversas graves associadas à vacina — sendo duas mortes atualmente sob investigação pelas autoridades sanitárias.
A decisão sacudiu o país justamente no momento em que o Brasil comemorava avanços históricos na cobertura vacinal e na redução da dengue. O imunizante em questão é a Butantan-DV, a primeira vacina contra a dengue produzida integralmente em território nacional e a primeira do mundo com esquema de dose única capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus. Com cerca de 500 mil doses já aplicadas em todo o país desde o início da estratégia de imunização — priorizada para profissionais da saúde —, a suspensão representa um freio emergencial num programa que havia sido lançado com grande expectativa científica e institucional.
Cobertura vacinal
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva de imprensa. Ele reforçou que a medida segue os protocolos de segurança do PNI (Programa Nacional de Imunizações) e está alinhada ao compromisso do governo com a ciência e a proteção da população.
“Uma das fortalezas do nosso Programa Nacional de Imunização, que reforça cada vez mais sua credibilidade, é sempre seguir a ciência, as evidências científicas, trabalhar sempre com a lógica da proteção da população brasileira”, afirmou Padilha.
Mas quem está investigando os casos e quais são os próximos passos? Os 42 casos de reações adversas graves estão sendo analisados por equipes técnicas do próprio Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan — três das principais autoridades do sistema de saúde pública brasileiro. A investigação busca estabelecer a possível relação causal entre a aplicação do imunizante e os eventos adversos registrados, incluindo os dois óbitos.
Na mesma coletiva, Padilha destacou que o Brasil registrou em 2025 a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, com índices que antes estavam abaixo de 80% superando a marca de 90%.


Devem ser observados:
- Febre
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Tontura
- Sangramentos
- Sonolência intensa
- Irritabilidade
- Sinais de desidratação
- Piora do estado geral
Cenário da dengue
Apesar da suspensão emergencial, o ministro fez questão de contextualizar o cenário epidemiológico da dengue no país. Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam uma queda de 92% no número de casos nos primeiros cinco meses de 2026, em comparação ao mesmo período de 2024 — o pico histórico da epidemia no Brasil.
Mesmo com a redução expressiva, Padilha alertou que a doença segue fazendo vítimas fatais. Segundo ele, 178 pessoas morreram de dengue no Brasil em 2026.
“O tema da dengue provoca impacto na vida do povo brasileiro, das famílias, da economia local e das vidas que se perdem”, afirmou o ministro.
O contexto é relevante: a dengue foi classificada pelo próprio Padilha como uma das maiores emergências sanitárias enfrentadas pelo Brasil nas últimas décadas, o que torna a suspensão da vacina um cenário delicado sob todos os aspectos.
O que deve fazer quem já foi vacinado?
Como medida de precaução imediata, o Ministério da Saúde orienta que todas as pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento clínico.
A recomendação tem como objetivo monitorar possíveis efeitos adversos tardios e garantir atendimento médico adequado caso apareçam sintomas após a imunização. Não há indicação de que o risco seja generalizado, mas a cautela é necessária enquanto a investigação segue em curso.
Butantan, credibilidade e os próximos passos
O ministro Padilha também aproveitou a oportunidade para reafirmar a importância estratégica do Instituto Butantan para o sistema de saúde brasileiro, mesmo diante da crise gerada pela suspensão.
“O Brasil cada vez mais é um polo produtor e um polo de atração de investimentos internacionais para vacinas”, disse o ministro, destacando o papel do Butantan na soberania científica e farmacêutica do país.
O Ministério da Saúde e o Instituto Butantan devem divulgar novas informações sobre o andamento da investigação das reações adversas, bem como os critérios técnicos que definirão o momento e as condições para a eventual retomada da vacinação. A Anvisa acompanha o processo e tem papel central na liberação ou manutenção da suspensão do imunizante.
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