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Saúde

Spray nasal retarda envelhecimento e pode combater doença que afetará 5,7 milhões de brasileiros nos próximos anos

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Um grupo de cientistas da Texas A&M University, nos Estados Unidos, testou um spray nasal experimental capaz de reduzir sinais de inflamação no cérebro associados ao declínio cognitivo.

O produto não tem relação com os sprays comuns usados para congestão nasal — ele é composto por micropartículas extraídas de células-tronco neurais humanas, que carregam instruções moleculares para conter processos inflamatórios cerebrais.

O estudo, publicado no Journal of Extracellular Vesicles, foi conduzido em camundongos e ainda está em fase inicial, mas os resultados chamaram atenção da comunidade científica pelo potencial de atuar antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas da doença.

O tamanho do problema no Brasil

De acordo com o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (Re)conhecimento e Projeções Futuras, divulgado em 2024, cerca de 8,5% da população idosa brasileira já convive com algum tipo de demência — o equivalente a aproximadamente 1,8 milhão de pessoas. A projeção é de que esse número chegue a 5,7 milhões de diagnósticos até 2050, à medida que a população do país envelhece.

Esses números ajudam a explicar por que pesquisas voltadas à prevenção precoce do Alzheimer, como a conduzida nos Estados Unidos, têm ganhado força na comunidade científica.

Como funcionou o experimento com os camundongos

Os pesquisadores trabalharam com animais de 18 meses de idade, fase que corresponde, segundo a equipe, a humanos com cerca de 60 anos. Os camundongos receberam duas doses intranasais das vesículas extracelulares derivadas de células-tronco neurais, com intervalo de duas semanas entre elas.

Pela via nasal, essas partículas chegam ao cérebro e são absorvidas por células de defesa como micróglias e astrócitos. Em apenas seis horas após a aplicação, os cientistas já conseguiam detectar as vesículas em diferentes regiões cerebrais dos animais.

A pesquisadora sênior do estudo, Madhu Leelavathi Narayana, descreveu o mecanismo observado como uma forma de devolver vitalidade aos neurônios, reduzir o estresse oxidativo e reativar as mitocôndrias — as estruturas responsáveis por gerar energia dentro das células cerebrais.

Resultados nos testes cognitivos

Cerca de um mês após o tratamento, a equipe aplicou testes cognitivos nos camundongos. Segundo reportagem da CNN Brasil, os animais que haviam recebido o spray tiveram desempenho superior em tarefas de reconhecimento e localização de objetos, quando comparados aos que não passaram pelo tratamento.

A análise molecular também mostrou queda relevante nos principais marcadores de inflamação no hipocampo — região do cérebro ligada à memória e especialmente afetada pelo Alzheimer. As proteínas que sustentam esse processo inflamatório apareceram em concentrações bem menores nos animais tratados, segundo a CNN.

Por que ainda é cedo para falar em tratamento

Apesar dos resultados considerados animadores pelos próprios pesquisadores, é importante destacar que o estudo foi realizado apenas em modelos animais e está em estágio preliminar. Os autores reforçam que ainda são necessárias diversas etapas de pesquisa — incluindo testes de segurança e eficácia em humanos — antes que qualquer aplicação clínica possa ser considerada.

Ou seja, o spray nasal não é, até o momento, um produto disponível para prevenção ou tratamento do Alzheimer em pessoas. Trata-se de uma linha de pesquisa em desenvolvimento, que pode — ou não — evoluir para testes clínicos nos próximos anos.

Para quem tem preocupações relacionadas à memória ou ao envelhecimento cognitivo, a recomendação continua sendo buscar acompanhamento médico especializado, já que o diagnóstico e o tratamento do Alzheimer devem sempre partir de avaliação profissional .


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