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Saúde

Anvisa manda recolher antibiótico com fragmento de vidro e suspende lote de soro fisiológico — veja se você tem em casa

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta quinta-feira, 18 de junho, uma determinação de recolhimento urgente de medicamentos antibióticos e outros produtos farmacêuticos com desvios graves de qualidade. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, proíbe expressamente a venda, distribuição e uso dos itens afetados — e acende um sinal de alerta para hospitais, farmácias e pacientes em tratamento com esses injetáveis.

O caso mais grave envolve a descoberta de um fragmento de vidro no interior do frasco de um antibiótico de uso hospitalar. A contaminação física em medicamentos injetáveis representa risco real à segurança do paciente — especialmente em contextos de uso intravenoso, onde qualquer partícula estranha pode provocar complicações sérias. Quais são exatamente os produtos afetados? E o que deve fazer quem tem um desses medicamentos em casa ou na clínica?

Polycid: antibiótico injetável com pedaço de vidro no frasco

O primeiro produto atingido pela resolução é o Polycid, antibiótico injetável fabricado pela União Química Farmacêutica Nacional. A Anvisa determinou o recolhimento imediato do lote 2519879 após receber comunicado de recolhimento voluntário iniciado pelo próprio fabricante.

A razão é grave: foi identificada a presença de um pedaço de vidro no interior do frasco lacrado do medicamento. O Polycid é utilizado no tratamento de infecções bacterianas severas — condições que exigem administração injetável direta na corrente sanguínea ou via intramuscular.

A contaminação por corpo estranho em injetáveis é classificada pela vigilância sanitária como desvio crítico de qualidade, uma das categorias mais sérias previstas nas normas da Anvisa e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Qualquer frasco do lote identificado não pode ser administrado, independentemente do estado aparente do produto.

Mas qual é o segundo antibiótico atingido? E como a Anvisa chegou à identificação das impurezas?

Fosfato de clindamicina: solução com cor alterada e precipitados

O segundo medicamento alvo da determinação é o fosfato de clindamicina 150 mg/ml solução injetável, produzido pela Hypofarma – Instituto de Hypodermia e Farmácia Ltda. A resolução afeta o lote 24101854, comercializado em caixas com 50 ampolas.

A Anvisa confirmou desvio referente à solução de cor amarelada, com presença de corpos estranhos e precipitados no interior do frasco lacrado. A clindamicina é um antibiótico de amplo uso em infecções de pele, ossos, articulações e infecções ginecológicas — e sua apresentação injetável é frequentemente utilizada em ambiente hospitalar e ambulatorial.

A alteração de coloração em soluções injetáveis é indicativo direto de instabilidade química ou contaminação microbiana — ambos os cenários representam riscos concretos ao paciente. O produto não pode ser vendido, distribuído ou aplicado enquanto a investigação estiver em curso.

Soro fisiológico

Além dos antibióticos, a resolução da Anvisa também determinou o recolhimento de um lote de solução fisiológica de cloreto de sódio Equiplex – 9mg/ml, fabricada pela Equiplex Indústria Farmacêutica Ltda.

O lote 2513588, com validade até 30 de junho de 2027, apresentou desvio de qualidade confirmado pela agência reguladora. “O produto também não pode ser vendido, distribuído ou utilizado”, destacou a Anvisa em nota oficial.

O soro fisiológico é um dos itens farmacêuticos de maior circulação em hospitais, clínicas, postos de saúde e domicílios — o que torna o alerta especialmente relevante para gestores de saúde e profissionais da enfermagem.

Farmácia de manipulação

A mesma resolução que ordenou o recolhimento dos antibióticos também atingiu uma farmácia de manipulação. A Anvisa determinou o recolhimento de todas as preparações magistrais produzidas pela Farmácia S J do Jabour Ltda.

A agência comprovou que a empresa expunha e comercializava produtos manipulados padronizados e não individualizados, sem a prescrição obrigatória de profissional de saúde habilitado. “Os medicamentos eram divulgados e comercializados por meio do site da empresa e de redes sociais, inclusive com nome comercial dos produtos nos rótulos”, informou a Anvisa.

Essa prática viola diretamente a legislação sanitária brasileira, que exige individualização de cada fórmula magistral com base em receituário médico. A comercialização de manipulados sem prescrição é considerada venda irregular de medicamentos e pode configurar crime de saúde pública.

O que fazer se você tem um desses produtos

Se você ou algum familiar possui qualquer um dos medicamentos citados acima, a orientação da Anvisa é clara: não utilize o produto. Em caso de dúvida, consulte o número do lote impresso na embalagem e compare com os identificados na resolução oficial.

Profissionais de saúde, hospitais e farmácias devem interromper imediatamente o uso e a distribuição dos lotes afetados e entrar em contato com os fabricantes para orientações sobre a devolução. Consumidores que já adquiriram os produtos podem registrar reclamações diretamente no canal de atendimento da Anvisa pelo portal Gov.br.

A Agência Brasil informou que aguarda retorno da União Química Farmacêutica Nacional e da Hypofarma. Não foi possível obter contato com a Equiplex Indústria Farmacêutica Ltda nem com a Farmácia S J do Jabour Ltda até o fechamento desta reportagem.

 


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