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Política

Boicote antipetista se espalha pelo país

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Desde a reeleição de Lula (PT), no último domingo (25), começaram a circular nas redes sociais listas que identificam comerciantes, profissionais e trabalhadores apoiadores do petista. As publicações incentivam o boicote a estabelecimentos, a demissão de funcionários e a recusa de contratação de petistas.

O movimento surgiu na última segunda-feira (26), principalmente em cidades onde Lula não obteve a maioria dos votos, mas também chegou a metrópoles como São Paulo. Na capital paulista, circulam, nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, listas que incentivam boicotes a bares, restaurantes, manicures, personal trainers e outros profissionais e estabelecimentos.

Empresas e organizações de diferentes regiões do Brasil também anunciaram nas redes sociais o fim de doações e de ações sociais após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. As publicações anunciam a suspensão de iniciativas como a distribuição de cestas básicas, brinquedos, roupas e medicamentos.

Uma das publicações, feita por uma rede de sorveterias, afirma que a empresa deixará de realizar doações a pessoas que considera dependentes de auxílios governamentais. “Estamos cansados de ajudar quem não quer ser ajudado e preferem viver dos auxílios do governo!”, diz o comunicado.

O texto também afirma que, ao longo de 12 anos, a empresa participou de ações sociais com a distribuição de cestas básicas, agasalhos e brinquedos.

ONGs também relatam, por meio das redes sociais, que empresários estão retirando doações após a vitória de Lula.

Em reação aos boicotes contra apoiadores de Lula, parlamentares de esquerda acionaram, nos últimos dias, a Polícia Federal (PF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Ministério Público do Trabalho (MPT). Eles solicitaram a adoção de medidas contra os responsáveis pela promoção e elaboração das listas.

A reação da esquerda aos boicotes contra eleitores do petista contrasta com episódios em que militantes, organizações e representantes do campo político defenderam ou promoveram iniciativas semelhantes contra empresas e veículos de comunicação associados à direita.

Entre os episódios estão campanhas para evitar o consumo de marcas cujos proprietários apoiavam o então presidente Jair Bolsonaro (PL), a pressão do Sleeping Giants Brasil (SGB) sobre anunciantes de jornais conservadores e declarações de Fernando Haddad (PT) favoráveis ao boicote por razões ideológicas.

Em março de 2020, uma campanha nas redes sociais organizada por grupos de esquerda convocou consumidores a boicotar empresas cujos proprietários apoiavam Bolsonaro. A mobilização atingiu marcas como Havan, Riachuelo, Centauro, Smart Fit, Bio Ritmo, Coco Bambu e Madero.

Em janeiro de 2023, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que deixava de consumir produtos de empresas por razões ideológicas. “Não compro nem um palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromisso com as minhas questões”, afirmou o ministro, ao comentar o comportamento de consumidores diante de companhias que apoiaram o governo Bolsonaro.

Haddad também declarou que parte dos consumidores brasileiros havia deixado de comprar produtos de empresas que se engajaram em favor do governo anterior.


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