Economia
Brasil bate recorde de veículos elétricos e supera países como Noruega e Espanha em volume de vendas


O mercado brasileiro de veículos elétricos atingiu um novo patamar em junho. O país registrou 21.612 emplacamentos de carros 100% elétricos — os BEVs, sigla para Veículo Elétrico a Bateria — e ficou atrás apenas de Alemanha, Reino Unido e França em volume absoluto de vendas.
O resultado colocou o Brasil à frente de mercados tradicionalmente mais maduros no setor, como Noruega, Dinamarca, Itália, Espanha, Bélgica, Portugal, Suécia e Países Baixos. Só a Alemanha (84.057 unidades), o Reino Unido (63.950) e a França (55.831) venderam mais elétricos no período, segundo levantamento do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista.
Busca do consumidor também dispara
O avanço nas vendas acompanha um salto no interesse do público. Um estudo da plataforma Webmotors Autoinsights mostra que a busca por carros elétricos 0 km cresceu 48,1% no primeiro trimestre de 2026 — ritmo bem acima dos híbridos zero-quilômetro, que subiram 16,7% no mesmo período.
Mas os elétricos já dominam a preferência do brasileiro? Ainda não completamente. Quando o levantamento soma todo o ecossistema de buscas — carros novos e usados juntos —, os híbridos ainda retêm 75% do interesse do público, contra 25% dos modelos 100% elétricos.
No mercado de seminovos, a busca por eletrificados também cresceu, com alta de 22,9% no trimestre, mas o comprador de usados segue mais conservador, priorizando a segurança mecânica dos híbridos diante dos desafios de infraestrutura de recarga fora dos grandes centros.
Participação ainda distante da liderança europeia
Apesar do volume expressivo, a fatia dos elétricos no total de veículos leves vendidos no Brasil segue bem abaixo da de países europeus líderes no setor.
Enquanto a Noruega tem cerca de 96,5% de participação dos BEVs nas vendas de leves e a Dinamarca supera 80%, no Brasil o índice está em torno de 10% — patamar semelhante ao da Itália e da Espanha.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a explicação está no tamanho do mercado brasileiro, que vende um volume total de veículos muito maior do que a maioria dos países europeus. Por isso, mesmo com uma fatia proporcional menor, o país consegue números absolutos elevados — chegando à quarta posição global mesmo tendo uma participação percentual bem menor que a de mercados líderes.
Crescimento ano a ano
A evolução da participação dos elétricos nas vendas de veículos leves no Brasil mostra a velocidade da mudança:
| Ano | Participação dos BEVs |
|---|---|
| 2021 | ~0,2% |
| 2022 | ~0,5% |
| 2023 | ~1,5% |
| 2024 | ~3% |
| 2025 | ~6% |
| 2026 | ~10% |
O mercado automotivo total cresceu 20% no semestre, enquanto os elétricos avançaram 125% no mesmo período — um ritmo seis vezes mais rápido que o do setor como um todo.
Por que o brasileiro está migrando para o elétrico
Para o presidente da ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos), Ricardo Bastos, o resultado reflete anos de investimento em inovação tecnológica e em transporte mais limpo.
Segundo ele, o veículo elétrico já conquistou públicos de diferentes rendas — do empresário ao trabalhador de aplicativo — não só pela questão ambiental, mas também pela eficiência e economia no uso diário.
Especialistas ouvidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos apontam que esse crescimento não é isolado: está diretamente ligado à estratégia de diversificação das montadoras, que ampliaram o portfólio de modelos disponíveis nas concessionárias em todo o país — dos grandes centros ao interior.
A partir de 2023, os hatches compactos ajudaram a popularizar o elétrico no Brasil, ampliando o acesso à tecnologia. Depois, o segmento de SUVs compactos e médios passou a concentrar novos lançamentos, atendendo consumidores em busca de veículos familiares.
Somam-se a isso os anúncios de produção nacional, novas fábricas instaladas no país e a chegada de marcas até então ausentes do mercado brasileiro, ampliando a concorrência em diferentes faixas de preço.
Incentivos fiscais ajudam a acelerar a adoção
Parte da migração para o elétrico também tem explicação tributária. O Programa Mover, do Governo Federal, reduz o IPI de veículos elegíveis fabricados ou importados dentro de critérios de eficiência energética, o que já impacta o preço final ao consumidor.
Além disso, diversos estados oferecem isenção total ou parcial de IPVA para elétricos e híbridos — as regras variam bastante de um estado para outro, então vale consultar a Secretaria da Fazenda local antes da compra. Informações oficiais sobre o programa federal estão disponíveis no portal do Governo Federal.











