Economia
Ações da Alpargatas, dona da Havaianas derretem e empresa perde R$ 200 Milhões


Entenda como uma frase publicitária desencadeou um boicote massivo, derrubou papéis na B3 e colocou em xeque a reputação de uma gigante do varejo.
As ações da Alpargatas (ALPA4), gigante controladora da marca Havaianas, enfrentaram um dia de forte turbulência na B3 nesta segunda-feira (22). Os papéis da companhia registraram queda expressiva, resultando em uma perda de valor de mercado estimada em R$ 200 milhões em um único pregão.
O movimento de venda não foi motivado por balanços financeiros ou macroeconomia, mas por um fator imponderável: uma crise de imagem fulminante nas redes sociais, impulsionada por um boicote político organizado.
O Estopim: A Polêmica do “Pé Direito”
A volatilidade teve início após o lançamento da campanha de fim de ano da marca, estrelada pela atriz Fernanda Torres. No comercial, a artista — historicamente ligada a pautas progressistas — profere um texto que foi interpretado por parte do público como uma “alfinetada” ideológica.
“Desculpa, mas eu não quero que você comece o ano com o pé direito […] O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés”, diz a atriz na peça publicitária.
A frase, que buscava subverter uma superstição popular, foi lida por grupos conservadores e figuras políticas de direita como uma mensagem subliminar contra o seu espectro político. A reação foi imediata: parlamentares e influenciadores digitais, como Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro, convocaram seus seguidores a boicotarem os produtos da marca.
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Impacto no Bolso do Acionista
O mercado financeiro, avesso a ruídos políticos e riscos reputacionais, reagiu prontamente.
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Queda Intraday: Os papéis preferenciais (ALPA4) chegaram a recuar mais de 3% durante o pregão, operando na contramão de um dia morno na Bolsa.
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Perda Milionária: A desvalorização corroeu cerca de R$ 200 milhões do market cap (valor de mercado) da companhia em poucas horas.
Analistas de mercado alertam que, embora o movimento possa parecer pontual, crises de imagem em empresas de varejo B2C (que vendem direto ao consumidor) são perigosas. Elas podem afetar o sell-out (venda na ponta final) no período mais crítico do ano: o Natal e o Ano Novo.
Contraste com os Fundamentos
O episódio ocorre em um momento irônico para a Alpargatas. A empresa vinha apresentando uma recuperação robusta em 2025.
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Resultados Sólidos: No 3º trimestre de 2025, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 171,3 milhões (alta de 199% em relação ao ano anterior) e margens operacionais em expansão.
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Crescimento: O EBITDA havia saltado 110%, sinalizando que a casa estava em ordem — até o marketing entrar em rota de colisão com a polarização política.
Análise: O Risco do Posicionamento
Este caso se torna um “estudo de caso” instantâneo sobre Governança Corporativa e Marketing. Para o investidor, fica a lição de que o Risco de Imagem é um componente real da precificação de ativos.
Quando uma marca de massa como a Havaianas entra no debate político — intencionalmente ou não —, ela coloca em risco sua base de consumidores e, consequentemente, a estabilidade de suas ações. O mercado agora monitora se a pressão vendedora é apenas um “susto” de curto prazo ou se o boicote afetará os números do 4º trimestre.


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