Economia
EFEITO LULA: Endividada, classe C e D usa crédito para comprar comida e não passar fome no fim do mês, diz estudo


Crédito passou a funcionar como renda adicional para cobrir despesas essenciais da população
Um levantamento da fintech Jeitto mostra que famílias das classes C e D têm recorrido cada vez mais ao crédito para fechar as contas nos últimos dias do mês, quando o salário já não é suficiente para cobrir despesas básicas como alimentação. A informação foi divulgada pela Revista Oeste.
O estudo aponta um padrão claro de comportamento financeiro ao longo do calendário mensal. Entre os dias 12 e 25, quando a maior parte das contas fixas já foi paga e a renda começa a se esgotar, o volume de transações dessas famílias cai, em média, 55%.
O cenário se inverte nos cinco últimos dias do mês: entre os dias 26 e 30, as transações voltam a crescer e sobem 73%, puxadas principalmente pelo uso do Pix no crédito para compras em supermercados, farmácias e postos de combustível — um sinal de que o crédito deixou de ser reserva para imprevistos e passou a funcionar como complemento regular de renda.
Segundo o levantamento, essa mudança de comportamento tem uma característica importante: o crédito não está sendo usado para financiar bens de maior valor, como eletrodomésticos ou eletrônicos, mas sim para cobrir necessidades imediatas do orçamento doméstico.
O valor médio das operações no fim do mês é de apenas R$ 265, o que reforça que se trata de despesas do dia a dia, e não de consumo planejado.
“Em vez de financiar eletrodomésticos, eletrônicos ou outros bens de maior valor, as linhas de crédito flexíveis passaram a atender necessidades imediatas do orçamento doméstico”, afirma o estudo da Jeitto.
O ciclo do dinheiro no mês
O comportamento financeiro identificado pela pesquisa segue um padrão que se repete mês a mês. Logo após o recebimento do salário, entre os dias 5 e 10, os consumidores priorizam o pagamento de contas fixas — aluguel, energia elétrica, água e mensalidades escolares — e também costumam usar parte do valor recebido para quitar dívidas em aberto.
O período de maior aperto no orçamento, como mostram os dados, é justamente entre os dias 12 e 25, quando as famílias reduzem as compras ao essencial. Já no fim do mês, o crédito volta a ganhar espaço, funcionando como uma espécie de ponte financeira até a chegada do próximo salário — geralmente por meio de Pix parcelado ou pagamento de boletos via linha de crédito digital.
Esse padrão de uso reflete um fenômeno mais amplo na economia brasileira: o crescimento do chamado crédito de curtíssimo prazo para famílias de menor renda, uma modalidade que vem ganhando espaço justamente por oferecer liberação rápida e valores pequenos, sem as exigências burocráticas de um empréstimo tradicional em banco.
Para quem vive com salário justo, esse tipo de crédito acaba funcionando como um amortecedor entre um pagamento e outro — mas também levanta um alerta sobre o risco de dependência recorrente desse mecanismo para cobrir despesas básicas, o que pode gerar um ciclo contínuo de endividamento se não for acompanhado de planejamento financeiro.
Perfil dos consumidores e regiões com mais transações
De acordo com a pesquisa, a maior parte das operações financeiras identificadas envolve consumidores na faixa dos 36 aos 45 anos, com distribuição equilibrada entre homens e mulheres — ou seja, não há uma concentração relevante por gênero dentro desse padrão de consumo.
Em termos geográficos, os Estados que mais registraram esse tipo de transação foram São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais — os três Estados mais populosos do país, o que também ajuda a explicar a concentração natural do volume de operações nessas regiões.
Vale reforçar que esse dado se soma a um cenário mais amplo de aperto no orçamento das famílias brasileiras: outros levantamentos recentes também têm apontado o crescimento do endividamento entre a população de menor renda ao longo de 2026 — um contexto que ajuda a explicar por que o crédito de curto prazo tem ganhado esse papel de complemento salarial no dia a dia de milhões de brasileiros.
Para quem busca entender melhor as próprias finanças, o estudo completo da fintech Jeitto está disponível no site da empresa, com mais detalhes sobre a metodologia utilizada no levantamento.











