Saúde
Exame de sangue que detecta mais de 50 tipos de câncer antes dos sintomas chega ao Brasil


Imagine descobrir um tumor antes de sentir qualquer sintoma, a partir de uma única coleta de sangue. É essa a proposta do Galleri, exame que passa a ser oferecido no Hospital Israelita Albert Einstein e identifica sinais de mais de 50 tipos de câncer.
O alcance chama atenção principalmente por incluir tumores de pâncreas, fígado e ovário, que até hoje não contam com nenhuma estratégia de rastreamento. Para esses casos, o teste abre uma porta que antes simplesmente não existia.
Einstein tem o primeiro teste de detecção precoce multicâncer do país; biópsia líquida é indicada a assintomáticos a partir dos 50 anos
Mas quem pode fazer? O exame é indicado para pacientes assintomáticos com 50 anos ou mais, como complemento aos exames de rastreamento já recomendados.
O Galleri foi desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL e trazido ao país pela Gênesis Genomics, parceria entre o Einstein e o Grupo Fleury.
A chegada do teste acontece em um momento crítico. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028.
Por isso a detecção precoce ganha tanto peso. Para o Dr. Nam Jin Kim, diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein, quanto antes o tumor aparece, maiores as chances de tratamento, controle e até cura, e é aí que a biópsia líquida se mostra promissora.
Como o Galleri funciona
O teste busca alterações moleculares presentes no organismo no momento da coleta. Isso o diferencia dos exames genéticos hereditários, que avaliam predisposição herdada ou risco futuro.
Na prática, ele analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação, marcadores químicos naturais que ajudam a indicar a presença e a provável origem de células cancerígenas.
O DNA livre circulante é o material genético que as células, inclusive as tumorais, liberam na corrente sanguínea. Já a metilação costuma se alterar de maneira própria em cada tipo de tumor, o que ajuda a rastrear de onde vem o sinal.
Não substitui os exames de rotina
O Galleri funciona como ferramenta complementar, ao lado de exames já consolidados, como mamografia e colonoscopia.
O Dr. Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein, lembra que o rastreamento de rotina é recomendado hoje para apenas cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. Segundo ele, o Galleri não deve tomar o lugar desses exames, e sim ser usado em conjunto com eles.
O que acontece depois do resultado
Se o Galleri apontar um sinal de câncer, o paciente deve fazer outros exames de diagnóstico, direcionados à origem do sinal. Ou seja, o resultado positivo não é um diagnóstico, é um alerta que precisa ser investigado.
Se o resultado for negativo, segue valendo apenas o acompanhamento de rotina.
Como a indicação é para quem não tem sintomas, quem já percebe sinais suspeitos deve procurar atendimento médico em vez de esperar pelo teste. Valores, agendamento e a indicação individual precisam ser confirmados com o Hospital Israelita Albert Einstein e com o médico de confiança. Informações gerais sobre prevenção estão no site do INCA.











