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Economia

Nubank emite comunicado urgente para 115 milhões de clientes

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O Nubank anunciou nesta segunda-feira um acordo para adquirir 100% do Banco Porto Real de Investimentos S.A., movimento que vai permitir à fintech obter uma licença bancária completa no Brasil. A operação ainda depende de aprovação do Banco Central (BC) para ser concluída.

Segundo a empresa, a aquisição não altera nenhum serviço oferecido aos mais de 115 milhões de clientes no país, nem modifica o funcionamento do aplicativo, dos produtos financeiros ou da marca Nubank.

Fundado em 1992, na cidade de Porto Real (RJ), o Banco Porto Real é uma instituição de pequeno porte voltada à concessão de crédito para clientes de atacado — ou seja, empréstimos a grandes empresas. Segundo dados prudenciais do próprio Banco Central referentes a março de 2026.

A instituição tinha ativo total de R$ 6,2 milhões, patrimônio líquido de R$ 6 milhões e índice de Basileia próximo de 200%, o que indica solidez patrimonial apesar do tamanho reduzido. O valor pago pelo Nubank na transação não foi divulgado.

Por que o Nubank precisava de uma licença bancária

A compra responde à Resolução Conjunta nº 17, editada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 28 de novembro de 2025 e publicada no Diário Oficial da União em 1º de dezembro daquele ano. A norma proíbe instituições financeiras de usarem termos como “banco” e “bank” em suas marcas ou razões sociais sem autorização para operar efetivamente como banco.

Mas o Nubank não é um banco, afinal? Comercialmente, sim — mas, regulatoriamente, não. Até então, a empresa atuava no Brasil apenas com licenças de Instituição de Pagamento (IP), Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) e Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM).

Nenhuma delas equivale, tecnicamente, a uma licença bancária plena — mesmo a instituição sendo tratada, no mercado, como o maior banco digital do país.

O prazo para adequação das instituições termina em novembro deste ano, e o texto completo da norma pode ser consultado no site do Banco Central do Brasil.

Com a conclusão da compra, a licença bancária do Porto Real será incorporada ao conglomerado prudencial da Nu Pagamentos S.A. — o conjunto de empresas do grupo fiscalizado em bloco pelo Banco Central — somando-se às autorizações já existentes.

Nada muda para os clientes, diz o Nubank

A empresa reforça que a nova licença não cria exigências adicionais de capital ou liquidez para o conglomerado, preservando a estrutura financeira atual.

Na prática, a diferença entre os modelos regulatórios está nas atividades permitidas: bancos podem captar recursos do público e emprestar esse dinheiro, enquanto instituições de pagamento apenas viabilizam transações e movimentações financeiras, sem essa mesma autorização.

Expansão segue com foco no Brasil

Em nota, o fundador e CEO global do Nubank, David Vélez, afirmou que o país segue sendo o principal mercado da companhia. Já a CEO do Nubank para Brasil e América Latina, Livia Chanes, destacou que a estratégia de inovação e simplicidade será mantida, sem mudanças na experiência dos clientes.

O anúncio ocorre poucos meses depois de o Nubank ingressar na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em março deste ano, e de se consolidar como a maior instituição financeira privada do país em número de clientes. Para 2026, a companhia já havia anunciado R$ 45 bilhões em investimentos no mercado nacional — quase o dobro do aplicado no ano anterior.

Atualmente, a base de clientes do Nubank ultrapassa 115 milhões de usuários, e a empresa estima que cerca de 31,5 milhões de brasileiros tiveram, pela primeira vez, acesso a conta digital, crédito ou produtos de investimento por meio da plataforma — o equivalente a um em cada cinco adultos no país.

Uma pesquisa da consultoria Bain & Company, referente ao fim de 2025, apontou o Nubank como a instituição financeira preferida dos brasileiros para concentrar salário e pagamentos do dia a dia.

O que muda, na prática, para quem usa o Nubank

Para o cliente comum, a resposta curta é: nada, por enquanto. A operação é regulatória e de bastidores — trata da estrutura societária e das licenças que sustentam o Nubank perante o Banco Central, não da experiência de uso do aplicativo.

Cartão, conta, Pix, investimentos e atendimento continuam funcionando exatamente como antes, tanto durante a análise do negócio quanto após a eventual aprovação do BC.


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