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Política

Vorcaro também financiou filmes sobre Lula e Temer

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O nome de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou ao centro de uma das polêmicas mais explosivas da política brasileira recente. Desta vez, o escândalo vai muito além de Flávio Bolsonaro: revelações jornalísticas mostram que o banqueiro também bancou produções audiovisuais ligadas a Lula e Michel Temer — dois ex-presidentes de espectros políticos completamente opostos.

O que chama atenção não é apenas o volume de dinheiro envolvido, mas a rede de influência silenciosa que Vorcaro teria construído ao longo de anos, conectando seu nome a figuras dos mais variados lados do poder. E enquanto as investigações avançam, todos negam.

Banqueiro já financiou filmes de dois ex-presidentes

Mas o que poucos esperavam era que o alcance de Vorcaro no universo audiovisual fosse tão amplo — e tão transversal politicamente.

De acordo com o jornal O Globo, o banqueiro também patrocinou o documentário 963 dias, obra que registra o período do governo Michel Temer. O investimento foi realizado por meio do fundo Moriah Asset, ligado à família Vorcaro, e somou aproximadamente R$ 1 milhão — dentro de um orçamento total avaliado em R$ 12 milhões.

Mas a ligação com Temer vai além do cinema. Vorcaro chegou a contratar o ex-presidente como advogado durante as negociações com o BRB (Banco de Brasília), pagando R$ 10 milhões pelos serviços prestados. Uma cifra que, somada ao investimento no documentário, revela uma relação que ultrapassava qualquer simples admiração intelectual.

O produtor do documentário, Elsinho Mouco, saiu a público para negar que tenha solicitado qualquer verba a Vorcaro.

O dinheiro chegou até Lula?

Segundo as apurações, Vorcaro também financiou um documentário sobre o presidente petista, dirigido pelo renomado cineasta norte-americano Oliver Stone, lançado em 2024.

A produção, que retrata a trajetória política de Lula, recebeu apoio financeiro de um dos homens que hoje está no centro de um dos maiores escândalos bancários do país — justamente enquanto o governo federal enfrentava as consequências da crise do Banco Master.

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, foi categórico em sua resposta: afirmou que o governo federal “jamais pediu ou recebeu dinheiro” de Daniel Vorcaro. A declaração, porém, não encerrou os questionamentos sobre a natureza dos aportes e quem efetivamente os articulou nos bastidores.

Entenda o caso do Banco Master

E por que o nome de Vorcaro carrega tanto peso? A resposta está no colapso do Banco Master, descrito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como “a maior fraude bancária da história do Brasil”.

O escândalo revelou que a instituição financeira operava com um modelo de captação agressivo, promessas de rendimentos acima do mercado e uma estrutura que comprometeu bilhões em recursos de correntistas e investidores. O Banco Central do Brasil passou a investigar o caso, que envolve possíveis irregularidades em contratos, repasses e operações entre partes relacionadas.

Enquanto as autoridades apuram os fatos, jornalistas e investigadores continuam revelando que Vorcaro mantinha uma rede de contatos com alguns dos nomes mais poderosos do Brasil — presidentes, ministros, advogados de alto escalão e produtores de cinema.

O padrão que emerge das investigações é claro: o banqueiro investia em narrativas. Seja nas telas de cinema, seja nos corredores do poder, o dinheiro do Master tinha endereço certo.


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