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Fila do INSS quase triplica no governo Lula e chega a 2,8 milhões de pedidos ainda sem resposta


Contrariando as metas estabelecidas na campanha de 2022, a fila de espera do INSS mais que dobrou durante a atual gestão. Dados oficiais indicam um salto de 1,2 milhão (jan/2023) para 2,8 milhões de requerimentos aguardando análise em outubro. Os maiores gargalos estão no BPC e nas perícias médicas.
A promessa de zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pauta central da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, enfrenta desafios complexos de gestão.
Segundo levantamentos recentes obtidos via portal de transparência, o estoque de pedidos em análise cresceu exponencialmente. A lista engloba solicitações vitais para a subsistência dos brasileiros, como aposentadorias, pensões, BPC (Benefício de Prestação Continuada), licença-maternidade e o antigo auxílio-doença.
O Cenário Atual: Onde estão os Gargalos?
Ao analisar os números detalhados, percebe-se que o aumento da fila não é uniforme. Enquanto alguns setores apresentaram melhora, outros enfrentam um colapso técnico, especialmente os que dependem de perícia médica presencial.
1. O Salto na Fila do BPC e Auxílio-Doença
Os dados mostram que a complexidade na concessão de benefícios assistenciais e por incapacidade é o principal travão do sistema:
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Auxílio-Doença (Benefício por Incapacidade): É o cenário mais crítico. A fila de espera por perícias dobrou, saindo de 569 mil (junho/2023) para 1,2 milhão em setembro deste ano. O Ministério da Previdência não detalhou as causas específicas desse aumento abrupto.
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BPC/LOAS: A fila para este benefício, destinado a idosos carentes e pessoas com deficiência, subiu de 511 mil para 898 mil pessoas no mesmo período.
2. A Queda nas Aposentadorias
Na contramão dos benefícios por incapacidade, a fila de aposentadorias — que depende majoritariamente de análise documental administrativa e não de médicos — apresentou redução. O número caiu de 357 mil para 283 mil, indicando maior agilidade nos processos automatizados.
O Que Diz o Governo e o INSS?
Em nota oficial, o INSS argumenta que o crescimento da fila é reflexo da ampliação da rede de proteção social e de mudanças legislativas, e não apenas de gestão.
Os principais fatores citados pelo instituto incluem:
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Envelhecimento da População: Aumento natural da demanda por serviços previdenciários.
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Novas Regras do BPC: A alteração no método de cálculo da renda familiar per capita para concessão do benefício a idosos e pessoas com deficiência gerou um fluxo maior de pedidos e, consequentemente, represamento nas análises.
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Complexidade Administrativa: A necessidade de cruzamento de dados com outros entes públicos dificulta a redução rápida do estoque.
O órgão informou ainda a criação de um comitê de crise e a realização de mutirões de perícia para tentar conter o avanço dos números.
Impacto Social e Tempo de Espera
A frieza dos números esconde dramas reais nas agências da Previdência. Beneficiários relatam meses de espera para conseguir uma perícia, resultando em idosos sem renda e trabalhadores afastados sem receber o auxílio-doença devido.
Outro ponto de atenção é a disparidade nos prazos médios de concessão:
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Tempo Médio Geral: Caiu para 35 dias na gestão Lula (era 79 dias no fim da gestão anterior).
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Tempo Médio do BPC: Piorou significativamente, subindo de 62 dias (jan/2024) para 193 dias atualmente — um prazo superior à média registrada nos dois governos anteriores.
Mesmo quem já possui o benefício enfrenta dificuldades, com relatos de suspensão de pagamentos e cortes antes da conclusão de novas perícias de revisão.
A Promessa Presidencial vs. Realidade
A situação atual contrasta com o discurso político. Durante a campanha de 2022 e em sua posse, o presidente Lula reiterou o compromisso de zerar a fila do INSS, classificando a demora, na época, como falta de recursos ou falha de gestão.
Com a fila atual próxima dos 3 milhões, o governo enfrenta pressão para apresentar soluções estruturais que vão além de medidas paliativas, garantindo o direito constitucional dos segurados.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Como consultar minha posição na fila do INSS? A consulta pode ser feita através do aplicativo ou site Meu INSS, ou pela central telefônica 135.
O que fazer se o prazo de análise estourar? Caso o INSS ultrapasse o prazo legal (geralmente 45 a 90 dias), o segurado pode impetrar um Mandado de Segurança com auxílio de um advogado previdenciário.

