Política
Escola de samba que homenageou Lula a atacou os evangélicos é rebaixada


O resultado da apuração do Carnaval do Rio de Janeiro, divulgado nesta quarta-feira (18), confirmou o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói. A escola de samba, que estreava no Grupo Especial, amargou a última colocação com 264,6 pontos e disputará a Série Ouro no próximo ano.
A agremiação levou para a Avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
Apesar da presença do homenageado no camarote da Prefeitura e da expectativa da comunidade, o desfile enfrentou problemas técnicos e julgamentos rigorosos, recebendo apenas duas notas 10 no quesito samba-enredo.
Polêmicas e Alegorias: O estopim da crise
O desfile foi marcado por forte polarização política e críticas de setores conservadores. Um dos pontos mais tensos foi a apresentação do carro alegórico “Conservadores em Conserva”.
A alegoria trazia componentes fantasiados de latas e xícaras, em uma sátira que, segundo críticos, ridicularizava a Bíblia, os evangélicos e o setor do agronegócio. Além disso, houve menções que associavam a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro a representações de palhaço e presidiário.
A repercussão foi imediata nas redes sociais e no cenário político:
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Reação da Oposição: Parlamentares lançaram a trend “Família em Conserva” como protesto. O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) classificou o ato como um “ataque deliberado às famílias”.
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Ações Judiciais: Senadores da oposição protocolaram uma queixa-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando suposto crime de preconceito religioso.
Bastidores: Financiamento e Justiça Eleitoral
O clima de tensão começou antes mesmo do desfile. A oposição chegou a acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando propaganda eleitoral antecipada, mas as ações foram rejeitadas.
Devido à insegurança jurídica, a primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, desistiu de desfilar como destaque em uma das alegorias.
Outro ponto de debate foi o financiamento. A escola recebeu um aporte de R$ 1 milhão, proveniente de um Termo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Cultura, a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). O acordo total, de R$ 12 milhões, beneficiou todas as 12 escolas do Grupo Especial de forma igualitária.
Repercussão no Governo
O presidente do PT, Edinho Silva, minimizou as críticas e classificou a reação dos opositores como “ridícula”. Segundo ele, tentar desgastar a imagem do presidente por escolhas artísticas de uma agremiação foge do debate político qualificado.
Agora, a Acadêmicos de Niterói inicia seu planejamento para tentar retornar à elite do samba carioca, enquanto o Partido Novo promete manter a ofensiva jurídica, solicitando a inelegibilidade do presidente ao TSE com base no uso do desfile.


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