Política
Flávio Bolsonaro promete reajuste de aposentadorias do INSS acima da inflação


O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que reajustará os benefícios de aposentadoria acima da inflação caso seja eleito no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. O compromisso público amplia a complexidade do plano de ajuste nas contas da União, já que as despesas com a Previdência Social somam cerca de R$ 1,2 trilhão e respondem por aproximadamente 50% dos gastos federais.
A declaração ocorreu em Brasília, após o término de uma entrevista coletiva convocada para formalizar a adesão do partido Podemos à sua campanha presidencial. O senador pelo PL do Rio de Janeiro negou qualquer intenção de desvincular os benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social e o Benefício de Prestação Continuada da política do salário mínimo nacional.
A manifestação de Flávio Bolsonaro foi uma resposta direta à repercussão de apurações jornalísticas indicando que integrantes de sua equipe econômica avaliavam alterar as diretrizes de correção previdenciária e rever pisos constitucionais de saúde e educação para frear o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios do governo federal.
O candidato assegurou que os segurados não serão atingidos por cortes e sustentou que o equilíbrio fiscal virá de outras frentes orçamentárias. Ao justificar sua posição durante a coletiva, o parlamentar citou o exemplo familiar e defendeu a manutenção do poder de compra dos beneficiários.
“Das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo”, declarou o candidato à Presidência da República.
“Minha avó é professora aposentada do estado. Eu sei a dificuldade que ela tem de fazer compra no final do mês. Meus irmãos têm que ajudar a minha avó e meu avô de vez em quando, porque os dois são aposentados. O Brasil é riquíssimo e tem muito de onde tirar”, afirmou Flávio Bolsonaro.
Plano fiscal de Flávio Bolsonaro prevê economia de até R$ 250 bilhões
Apesar da promessa de assegurar reajustes superiores à variação inflacionária, Flávio Bolsonaro não detalhou os mecanismos financeiros que serão adotados para equilibrar o aumento das despesas obrigatórias com o aperto nas contas públicas. A campanha presidencial trabalha com estimativas de ajuste fiscal que variam entre R$ 200 bilhões e R$ 250 bilhões, montante correspondente a uma faixa entre 1,5% e 2% do Produto Interno Bruto.
Concessões de aumentos reais elevam a base orçamentária da Previdência Social de modo permanente. Economistas apontam que a expansão contínua desses repasses comprime o espaço fiscal destinado a investimentos públicos e ao custeio de serviços essenciais, tornando metas elevadas de contenção de despesas mais difíceis de serem atingidas sem mudanças estruturais.
O senador criticou o desempenho e o resultado financeiro das empresas estatais sob a gestão do presidente da República e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, não foram apresentados cálculos específicos sobre receitas alternativas ou eventuais compensações tributárias para cobrir os custos do benefício previdenciário ampliado.
Adolfo Sachsida descarta privatizações e mira supersalários no funcionalismo
Em movimento coordenado com o candidato, o ex-ministro e coordenador econômico da campanha, Adolfo Sachsida, divulgou um pronunciamento em vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (8) para afastar medidas impopulares da pauta eleitoral. Sachsida descartou a venda de grandes empresas estatais e detalhou as prioridades do programa econômico.
“Nenhuma dessas empresas será tocada”, disse o coordenador econômico, em referência direta à Petrobras, ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal.
O economista afirmou que o plano de contenção orçamentária do grupo mirará despesas administrativas e remunerações acima do teto constitucional no serviço público. Sachsida citou casos de pagamentos que atingem R$ 200 mil como alvos de enxugamento, além da redução na quantidade de ministérios da Esplanada.
“O ajuste fiscal nosso será focado nos excessos do governo, naqueles absurdos”, afirmou Adolfo Sachsida ao defender a estratégia da candidatura para o controle do endividamento público.
Regras atuais do INSS dividem reajustes pelo piso e pela inflação
O formato em vigor no país aplica critérios distintos conforme o valor do benefício recebido pelo segurado da Previdência Social. As aposentadorias que equivalem ao piso previdenciário seguem a política de valorização do salário mínimo, modelo que incorpora ganho real baseado no crescimento econômico. Esse mesmo parâmetro de piso rege o Benefício de Prestação Continuada, o abono salarial e as parcelas do seguro-desemprego.
Por outro lado, as aposentadorias e pensões que superam o piso salarial são atualizadas anualmente apenas pela reposição das perdas inflacionárias, medidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, sem ganho real automático. Em suas declarações em 8 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro não esclareceu se a intenção de aplicar reajuste acima da inflação abrangerá todo o universo de segurados do INSS ou se a medida ficará restrita àqueles que recebem o salário mínimo.
O tema do poder de compra dos aposentados também marca o contraste entre os mandatos recentes. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, a regra legal de ganho real automático esteve suspensa, com a aplicação estrita da reposição inflacionária anual para a base dos benefícios.
A votação do segundo turno das eleições presidenciais entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está marcada para o domingo, 25 de outubro de 2026.











