Economia
EFEITO LULA: Inadimplência cresce e atinge 83,9 milhões de brasileiros mesmo após lançamento do Desenrola 2.0


Os números mais recentes sobre endividamento no Brasil acendem um alerta que contrasta com o discurso oficial em torno do programa de renegociação de dívidas do governo federal. Segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, levantamento mensal da Serasa Experian, o país chegou a 83,9 milhões de inadimplentes em julho — a edição mais recente disponível do estudo —, com o valor total das dívidas em aberto somando R$ 586 bilhões.
O dado chama atenção justamente por vir depois do lançamento do Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas relançado pelo governo federal em maio deste ano, com o objetivo declarado de reduzir o número de brasileiros negativados e facilitar a quitação de débitos em atraso.
Como a inadimplência evoluiu desde o lançamento do programa
Mas o que os números mostram desde que o Desenrola 2.0 entrou em vigor? Segundo o levantamento da Serasa, no mês do lançamento do programa o mapa registrava 83,5 milhões de inadimplentes.
No mês seguinte, o índice já havia subido para 83,7 milhões, chegando aos atuais 83,9 milhões em julho — uma trajetória de alta contínua nos meses analisados após o início da iniciativa.
O valor médio das dívidas também subiu
Além do número de pessoas negativadas, o valor médio devido por pessoa também cresceu no período mais recente: a Serasa apurou uma média de R$ 6.987,23 por inadimplente em julho, um avanço de 0,96% em relação ao mês anterior.
Uma comparação com o início do governo
Colocando o dado em perspectiva histórica, o contraste fica ainda mais evidente: quando o atual governo assumiu, o mapa da Serasa registrava 70,09 milhões de brasileiros endividados.
A diferença para os atuais 83,9 milhões representa um aumento expressivo no número de inadimplentes ao longo do período — embora seja importante considerar que esse crescimento reflete um conjunto amplo de fatores econômicos, e não apenas a eficácia isolada de um único programa.
Fatores que também influenciam a inadimplência
Vale reforçar que o nível de inadimplência de um país é resultado de uma combinação de variáveis — entre elas, taxa de juros, nível de inflação, comportamento do emprego formal e o próprio custo de vida, que afeta diretamente a capacidade das famílias de honrar compromissos financeiros mês a mês.
Um programa de renegociação de dívidas atua sobre o estoque de débitos já existentes, mas não necessariamente impede que novas dívidas se acumulem em um cenário de aperto no orçamento das famílias.
O estado com maior proporção de inadimplentes
Entre as unidades da federação, o levantamento aponta o Amapá como o estado com a maior proporção de moradores endividados, com 64,8% da população local classificada como inadimplente — o maior índice percentual entre todos os estados brasileiros no levantamento mais recente.
O que diz o governo sobre o programa
Defensores do Desenrola 2.0 argumentam que o programa cumpre um papel relevante ao oferecer condições facilitadas de renegociação — como descontos expressivos e juros reduzidos — para quem já está endividado, ainda que não tenha, isoladamente, a capacidade de reverter uma tendência de alta na inadimplência influenciada por fatores macroeconômicos mais amplos.
Já críticos do programa apontam que os números da Serasa mostram que a iniciativa não tem sido suficiente para conter o crescimento do endividamento das famílias brasileiras, questionando a efetividade da estratégia adotada até o momento.
Para consultar os dados completos e atualizados do Mapa da Inadimplência, é possível acessar diretamente o portal da Serasa Experian, responsável pela elaboração do levantamento mensal.











