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Funcionários em greve pedem volta das linhas 11, 12 e 13 para a CPTM ou garantia de emprego para 4.700 empregados que passam por plano de demissão


Trabalhadores das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) entraram em greve na madrugada desta terça-feira (4).
A categoria pede a retomada definitiva da gestão pública dos ramais ou, alternativamente, garantia de emprego para os funcionários que estão sob risco em meio a um plano de demissão que atinge cerca de 4.700 empregados da companhia.
A mobilização foi aprovada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB), no dia anterior à paralisação, depois de duas semanas de negociação sem acordo com o Governo do Estado de São Paulo.
O contexto: privatização, incêndio e reassunção temporária
As três linhas foram transferidas para a concessionária Trivia Trens em julho, dentro do programa de concessões do governo de Tarcísio de Freitas, que prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos.
A Trivia assumiu a operação direta em 21 de julho, encerrando um período de operação assistida ao lado da CPTM.
Dois dias depois, em 23 de julho, um curto-circuito provocou incêndio em um vagão da Linha 12-Safira, próximo à região do Brás, na região central de São Paulo.
O episódio interrompeu subestações de energia, obrigou passageiros a caminhar pelos trilhos e gerou cenas de pânico registradas por usuários.
Diante do caos, a Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) determinou que a CPTM reassumisse a operação por até 90 dias, medida que o sindicato já criticou desde o início.
Por que os trabalhadores decidiram parar
Segundo o sindicato, os funcionários foram convocados para o período emergencial de 90 dias sem qualquer garantia de emprego para depois desse prazo.
A categoria teme que, ao final da reassunção temporária, a operação volte para a Trivia Trens e parte dos trabalhadores fique sem posto de trabalho definido.
Entre as principais reivindicações da greve estão:
- Retomada permanente da gestão pública das três linhas pela CPTM;
- Garantia de emprego para os funcionários envolvidos no plano de demissão;
- Apoio ao PL 730/2025, projeto de lei que trata da absorção de trabalhadores da linha privatizada por outros órgãos do Estado.
A greve não afeta as demais linhas do sistema metropolitano de trens — apenas as linhas 11, 12 e 13 estão paralisadas.
O que diz o governo
Em nota, a CPTM e o Governo do Estado de São Paulo lamentaram a decisão do sindicato de manter a paralisação, mesmo após uma reunião realizada na véspera, na qual afirmam ter apresentado “compromissos concretos”.
Segundo o governo, a disposição para negociar segue de pé, com reiteração do compromisso de preservar os postos de trabalho e de avaliar projetos de interesse da categoria, incluindo a possível absorção de empregados por outros órgãos públicos estaduais.
Divergência sobre o número de trabalhadores em risco
Vale registrar que os números variam conforme a fonte: enquanto o sindicato fala em risco imediato para cerca de 500 trabalhadores das três linhas concedidas, o plano de demissão mais amplo — que abrange o quadro total da CPTM em meio à reestruturação da companhia após as concessões — é apontado por parte da imprensa em cerca de 4.700 empregados.
A divergência reflete a diferença entre o grupo diretamente ligado à operação das linhas privatizadas e o total de funcionários da estatal potencialmente afetados pelo processo mais amplo de reestruturação.
O que muda para o passageiro
Apesar da paralisação, o valor da passagem segue sob responsabilidade do Governo de São Paulo — hoje em R$ 5,40 — e o contrato de concessão impede reajustes por iniciativa da concessionária. Passageiros das linhas 11, 12 e 13 devem buscar informações atualizadas diretamente nos canais oficiais da CPTM e da Artesp enquanto a greve estiver em curso.











