Conecte-se conosco

Saúde

Canetas emagrecedoras podem causar doença no pâncreas? 145 casos são investigados no Brasil

Publicado

em


A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” no Brasil acendeu um alerta vermelho nas autoridades de saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está monitorando 145 notificações de pancreatite possivelmente associadas ao uso desses medicamentos.

Originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, fármacos como Ozempic e Mounjaro viraram uma febre global pelo efeito colateral de rápida perda de peso.

No entanto, o uso indiscriminado pode estar cobrando um preço alto. O levantamento abrange o período de 2020 a 2025 e, dos casos notificados, seis resultaram em morte.

O salto nos números preocupa especialistas

O que mais chama a atenção das autoridades sanitárias é o crescimento exponencial das notificações de efeitos adversos graves.

Para se ter uma ideia da evolução do problema, em 2020, a Anvisa recebeu apenas uma notificação relacionada a problemas no pâncreas.

Já em 2025, com a explosão da venda dessas canetas nas farmácias, o número saltou para 45 registros em um único ano.

Embora a pancreatite (inflamação do pâncreas) já conste na bula como um possível efeito adverso raro, a frequência das ocorrências sugere que o uso sem acompanhamento médico está potencializando os riscos.

O que diz a Anvisa sobre os casos

É fundamental esclarecer que os 145 casos são notificações de suspeita. Ou seja, médicos ou pacientes relataram o problema após o uso, mas a causalidade direta ainda está sob investigação técnica.

Em comunicado oficial, a agência reguladora reforçou que o perigo mora na automedicação.

“A Anvisa destaca que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas (off-label), especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos”, diz a nota.

Além de aumentar as chances de complicações, o uso por conta própria dificulta o diagnóstico precoce, o que pode levar a quadros irreversíveis.

Alerta não é exclusivo do Brasil

O Brasil não está sozinho nessa preocupação. No Reino Unido, a agência reguladora de saúde também emitiu comunicados de risco sobre a relação entre análogos de GLP-1 (o princípio ativo das canetas) e a pancreatite aguda grave.

Dados britânicos mostram um cenário ainda mais amplo: entre 2007 e outubro de 2025, foram registradas cerca de 1,3 mil notificações de inflamação no pâncreas em pacientes que utilizavam essa classe de medicamentos.

Sintomas de alerta: Quando procurar ajuda?

A pancreatite é uma condição séria que exige atendimento médico imediato. Se você faz uso dessas canetas, esteja atento aos sinais que o corpo dá.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor abdominal intensa e súbita (que pode irradiar para as costas);

  • Náuseas e vômitos frequentes;

  • Febre e taquicardia;

  • Inchaço e sensibilidade na barriga.

A recomendação médica é clara: esses medicamentos só devem ser utilizados com prescrição e acompanhamento de um endocrinologista, que avaliará se os benefícios superam os riscos para o perfil de cada paciente.

O uso estético para “perder poucos quilos” sem indicação clínica pode transformar um desejo de beleza em uma emergência médica grave.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é a pancreatite causada por remédios?

É uma inflamação no pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina e enzimas digestivas. O uso de certas substâncias pode irritar o órgão, causando dores intensas e risco de vida.

Quem usa Ozempic vai ter pancreatite?

Não necessariamente. A pancreatite é um efeito adverso descrito em bula, mas considerado raro. O risco aumenta com o uso sem orientação médica, doses incorretas ou predisposição genética.

Quantas mortes foram registradas no Brasil?

Segundo o levantamento da Anvisa, entre 2020 e 2025, foram registradas seis mortes suspeitas de estarem associadas ao quadro de pancreatite em usuários dessas canetas.

Posso comprar canetas emagrecedoras sem receita?

No Brasil, a venda exige prescrição médica, mas a retenção da receita nem sempre é cobrada com rigor, o que facilita a automedicação e aumenta os riscos à saúde pública.


Clique para comentar

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

+ Acessadas da Semana